Trabalho freelancer, necessidade ou tendência?

No fim da década de 2010 começamos a sentir grandes movimentos na mudança das relações trabalhistas, tanto brasileiras como internacionais. Essas mudanças acontecerem por diversos fatores, mas dois se destacam entre os demais, a necessidade de olhar outros aspectos da vida, como o bem-estar e a família, e a carência de bons empregos.

Esse cenário apenas foi impulsionado pela pandemia de COVID-19, onde vimos inúmero trabalhadores corporativos migrarem para um novo modelo de trabalho, o de freelancer. Essa migração tem várias causas, desde a insatisfação do mundo corporativo, necessidade de explorar novos caminhos na carreira, ou até a restruturação da própria empresa.

Para aprofundar o entendimento desse tema, em 2019 a Maria Norbäck, estudiosa da Universidade de Gothenburg, publicou um artigo onde ela analisou a classe jornalista da Suécia e chegou algumas conclusões bem interessantes. Uma delas é que devido a “juniorização” do setor, muitos jornalistas estavam sendo dispensados ou eram obrigados a trabalhar em um regime contratual quase escravagista, onde questões de propriedade intelectual sobre os textos feitos não eram levados em consideração. Desse movimento surgiu uma tendência de comunidade, onde essa classe se engajava e se organizava em comunidades profissionais para boicotar certos tipos de abusos durante a contratação, e daí surgiu um movimento de freelancers, onde o profissional poderia escolher quais serviços e trabalhos desejava prestar, sem ter obrigações a médio e longo prazo, apenas para o serviço escolhido.

De uma forma similar tivemos esse mesmo movimento ocorrendo no Brasil, porém nos trabalhos freelancers de aplicativos como Uber, 99 Taxi, IFood ou Rappi. Lógico que diferente da Suécia, os inputs para essa mudança de mercado foram um pouco diferentes, afinal temos taxas de desemprego e questões sociais bem diferentes em comparação a eles, porém algumas similaridades podem ser notadas, entre elas a necessidade de ter novas métricas de sucesso, que não seja apenas o dinheiro e o cargo, e a questão do aparecimento de comunidades que se ajudam e onde seus integrantes tentam estimular o bem comum. Isso é uma mudança bem significativa na forma do trabalho, pois os integrantes das comunidades deixaram de ser concorrentes e passaram a ser colaboradores, mesmo disputando o mesmo nicho de mercado.

Talvez uma das maiores mudanças que possam ter sido aceleradas com a Covid-19 e essa mudança das relações trabalhistas e é possível que nos próximos anos ou décadas seja possível ver uma mudança significativa nessas relações, algo que permanece praticamente o mesmo desde a revolução industrial.

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