11
- março
2019
Posted By : Ingrid Alves
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Inovação: do modismo à realidade contínua dentro das empresas

Apesar de acreditar e ser apaixonada pelos novos rumos que a inovação tem trazido para todas as esferas sociais, ainda assim, me espanta a forma como muitas empresas têm trazido o tema da inovação para dentro de suas estruturas e de suas pessoas.


É fato que este tema é considerado a nova tendência mercadológica para garantir o futuro das organizações, e realmente acredito que seja esse o caminho. Por outro lado, discordo do fato de tratarem a inovação como um novo dress code (ou código de vestimenta, em tradução livre), como sendo um caminho seguro e sustentável para as empresas garantirem seu lugar ao sol no futuro.


Digo isso porque ainda vejo poucas iniciativas de transformação cultural que realmente envolvem as pessoas dentro das organizações. Tenho visto chover termos como “profissionais inovadores”, “experiência com metodologias ágeis, economia criativa, inteligência artificial”, entre outros atributos, passarem a constar obrigatoriamente na listinha de pré-requisitos de vagas abertas dentro de muitas empresas.


No entanto, o que pouco se fala ainda são sobre como criar pilares sólidos que sustentarão a inovação contínua dentro das organizações, como tornar a empatia, a colaboração e a experimentação bases firmes dentro dessas empresas? Esses três ingredientes são para a inovação, aquilo que as asas de um avião significam em um voo, ou seja, algo simplesmente fundamental.

A inovação muitas vezes tem sido inserida nas organizações como algo “top down”. Por meio de comunicados oficiais das diretorias, estas passam a adotar isso como “valor” e como pré-requisito de avaliação dos funcionários para promoção/evolução destes dentro de suas estruturas. Mas, será que é esse o caminho da transformação?

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Para uma empresa ser inovadora, ela precisa antes de tudo ter isso enraizada dentro da cultura corporativa, e isso precisa ser praticado diariamente. É necessário que as pessoas passem por treinamentos, que provem novas ferramentas, que formem profissionais que possam multiplicar e contagiar esse mindset em todas as estruturas que envolvem uma organização.

Isso não é e não será instantâneo, precisa de investimento de tempo e na formação das pessoas. É preciso experiência, empatia, envolvimento das equipes, treinamentos, criação de testes e avaliação de aprendizados gerados por acertos e erros. Sim, erros, estruturas verdadeiramente inovadoras sabem que para acertar logo precisam errar muito – e errar rápido.

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Além disso, para esse tipo de cultura se consolidar isto não pode vir apenas de cima pra baixo. É claro que o apoio da alta gerência é fundamental para o empoderamento desse tipo de mudança, no entanto, a inovação ocorre de forma muito mais rápida quando todos os colaboradores de fato se sentem importantes e envolvidos nesse processo.

Inovação não começa apenas com a adoção de apetrechos ‘diferentões’, como VRs (óculos de realidade virtual), muito menos se trata de fazer Sprints semanais porque “as maiores empresas de tecnologia o fazem”. Se trata principalmente de experimentação e de entender a fundo questões como:

  • Quais são as necessidades dos seus clientes?
  • Quais são as verdadeiras barreiras físicas e emocionais dos seus colaboradores na implementação dessa cultura?
  • Seus times já têm o conhecimento/ferramentas necessárias para se tornarem mais inovadores?
  • Os diversos tipos de colaboradores da sua empresa (profissionais de diferentes gêneros, gerações, culturas, áreas, etc) se dão bem? Se entendem?
  • Ou, se seus times são extremamente homogêneos, o que você pode fazer para fomentar a heterogeneidade dentro da sua empresa?
  • Como você pode mostrar para os times os ganhos em aglutinar pessoas com pensamentos diferentes?
  • Quando a sua empresa desenvolve uma nova experiência para o usuário, você se coloca no lugar dele antes, durante e após a experiência?
  • As pessoas conseguem sentir aquilo que você gostaria que elas sentissem com aquela experiência que você está simulando?

Essas são só algumas perguntas que as pessoas e as empresas podem fazer durante essa mudança de mindstet. Empatia, ao contrário do que dizem por aí, não é se colocar no lugar do outro. Infelizmente, a tecnologia não evoluiu ainda ao ponto de sermos capazes de nos ‘teletransportar’ de fato para o corpo e a mente um do outro. A empatia é muito mais simples e palpável do que imaginamos. Ela, na verdade, se refere a uma escuta ativa, entrevistas em profundidade e observação em campo.

Trata-se simplesmente de perguntar para o outro como ele se sente ou como ele entende o seu produto ou serviço e, a partir daí sim, você, seu time ou sua organização, simular a experiência desse usuário e trazer inovação e olhar humano profundo sobre um determinado projeto, a partir de diferentes pontos de vista.

Mas, é importante reforçar que isso não se dá de uma hora pra outra, como querem que aconteça por aí. Como disse, é uma mudança de mindset, que jamais pode ser imposta, mas precisa ser nutrida, cultivada e precisa acontecer por meio da geração de interesse e vontade naqueles que você deseja envolver.

Defendo, por fim, que a inovação precisa ser transversal e inerente a todos os processos. E, apesar de ser uma tendência, ela não pode ser introduzida dentro das pessoas e dos processos como algo externo, como acessório ou vestimenta. Ela precisa emergir como cultura: de dentro pra fora. E, para que isso se torne uma realidade contínua e não apenas pontual, essa transformação precisa necessariamente ocorrer de maneira faseada e gradual.

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